Pra mim tudo isso é tão bacana quanto incompreensível. Sabe aquelas coisas que você até acha que está entendendo, mas no fundo no fundo tem certeza que ignora completamente?
A pimenta do assunto, o molho, no entanto, não é bóson da questão. Estão todos (e todos são os 99,8% ou mais da população mundial que não saberiam diferenciar um quark de um quaker) preocupados com a versão de alguns físicos que dizem temer uma catástrofe a partir dos experimentos no LHC. E põe catástrofe nisso.
Ventilam a possibilidade da criação de um buraco negro que engoliria o nosso mundo e tudo o que há em volta. Há também os que temem uma reação em cadeia que terminaria por transformar tudo na chamada “matéria estranha” (é este mesmo o nome). Batizaram até o experimento de máquina do juízo final.
A tese é combatida como absurda por pesos-pesados da física mundial. Mas aí eu, ignorante assumido, penso aqui: se eles estão fazendo essa experiência é por que não têm 100% de certeza do que vai acontecer, certo? Se tivessem, pra que fazer? Bom, quem não tem 100% de certeza do que vai acontecer não pode dizer que tem 100% de certeza do que não vai acontecer… isso parece lógico.
Prefiro acreditar que os caras sabem, mais ou menos, o que estão fazendo. Diferentemente da maior parte dos repórteres que cobrem o assunto. Tão logo a máquina foi ligada foram todos (quase todos) para as TVs e os terminais dizer, com um sorriso inteligente e gozador nos lábios: “A máquina foi ligada hoje, com sucesso… e o mundo não acabou”. Ora, ora moviola!!! Será que eles não sabem que a máquina foi ligada, mas que o experimento em si, tal como planejado, vai levar meses, para ser concluído? Se não sabem, isso é grave. Mas se sabem e sonegaram a informação pra poder fazer a piadinha e garantir a audiência fácil, isso é gravíssimo.
É esse imediatismo da imprensa, essa pressa, essa urticária pelo lide chamativo, pelo anzol perfeito para a audiência, que enche o saco na maior parte das coberturas.
Em boa reportagem, o Daily Telegraph faz uma comparação perspicaz. Ninguém compra uma Ferrari, diz o jornal, e sai por aí dirigindo a 350 km/h sem antes entender bem como o motor e, principalmente, os freios respondem aos seus comandos. Pois bem, com o LHC, a maior e mais cara máquina já construída pelo homem, não é diferente.
O fato é que acho que a gente ainda vai falar e ouvir falar muito dessa máquina daqui pra frente. Os que acham perda de tempo e desperdício de dinheiro talvez nunca tenham ouvido histórias sobre como o ‘gênio humano’ chegou até a bússola ou ao forno de microondas.
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