Estrelamoto

bardot de saura

13 13UTC Janeiro 13UTC 2009 · Deixe um comentário

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Esse é o Retrato Imaginário de Brigitte Bardot (210X195cm), óleo sobre tela de 1962 do espanhol Antonio Saura. O quadro foi um dos que mais me chamou a atenção no ótimo Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires. Só visitei o MNBA portenho aos 48 do segundo tempo, no último dia de viagem. Tinha visitado antes o Malba e achei que bastava. Estava errado. O Malba é bem legal, ver o Abaporu foi algo realmente emocionante (como já me havia adiantado o Cajê), mas perder o MNBA portenho seria imperdoável.

 

A comparação com o nosso MNBA é inevitável. Tudo bem, o nosso prédio é mais bonito. Mas por dentro… O museu argentino é bem melhor organizado. Há uma coerência muito clara na disposição das obras da mostra permanente, o que facilita muito a visita. E o acervo é precioso. Tem até um Klee! Nosso museu da Rio Branco também possui obras importantes, mas há um indisfarçável aspecto de abandono que não se vê no co-irmão bonaerense. Portanto, não se deixe enganar pelo prédio aparentemente pequeno e sem muito charme. Em Buenos Aires, não deixe de visitar o MNBA e reserve, pelo menos, umas duas boas horas pra isso. O primeiro pavimento, com arte argentina e latino-americana é imperdível.

 

Notas finais de viagem:

 

1 – Fomos ver a exposição de Marcel Duchamp na belíssima Fundação Proa, em La Boca. Até dá para entender que suas obras tenham tido impacto conceitual à época, etc etc etc… mas não houve nada que me emocionasse. Preferi a arvore de natal da Bombonera.

 

2 – Não gosto mais (já gostei) de atirar pedras a esmo. Mas a verdade é que Duchamp me pareceu mesmo um ótimo enganador. Pelo menos foi bom nisso.

 

3 – Fomos também assistir ao musical EVA, com Nacha Guevara. Muito bem feito. O teatro, com nome e sobrenome, Lola Membrives, é meio velhinho, mas extremamente bonito e funcional. Havia orquestra tocando ao vivo o que dá uma força legal para o espetáculo.

 

 4 – As impressões sobre a peça foram tão boas que, no dia seguinte, fomos visitar o museu dedicado à história da polêmica Eva Duarte Perón. Polêmica mesmo. Quando adoeceu, aos 33 anos, houve quem a tratasse como santa e quem pichasse nos muros ‘Viva o Câncer’.  Lembro de ter visto, criança, com meus pais, a versão brasileira, em Volta Redonda! Havia Cláudia Telles, Mauro Mendonça e Carlos Augusto Strazzer. Lembro de apenas uma cena com clareza.  Esse musical que vimos agora no Lola Membrives não é o famosão de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber, que serviu de base pro filme de Alan Parker, que não vi. É uma peça argentina, com música argentina, que um peronista de carteirinha que sentou ao meu lado disse ser mais fiel à curta vida do seu mito.

 

5 – Na volta, dá pena ver o Rio tão mal cuidado. Dá pena ver nossos monumentos negligenciados. E dá raiva perceber que falta de educação não tem nada a ver com pobreza.

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