Estrelamoto

os 3 filmes

11 11UTC Fevereiro 11UTC 2009 · Deixe um comentário

filme-kodak1

 

Tem coisa que a gente esquece rápido. Ainda lembro da manhã quando ouvi a palavra internet pela primeira vez. Foi pronunciada e levemente dissecada por Cristina de Luca, à época no Globo, convidada pela professora, que eu não lembro mais quem, para falar sobre a novidade aos alunos do terceiro período de comunicação social da Faculdade da Cidade. Estávamos no segundo semestre de 1993. Hoje (oh deus do lugar-comum seja piedoso, paciente e correto) esquecemos como era o mundo sem a internet, sem os celulares e sem a água de coco em embalagem tetrapark.

 

A câmera digital entra fácil nesse pacote. E olha que eu só comprei a minha primeira maquininha, a querida Nikon Coolpix 5200, em julho de 2005. Quer dizer, ontem. Bastou para esquecer o que era fotografar com filmes.

 

Eis que chafurdando uma gaveta nem tão velha, nem tão abandonada assim, deparei com três filmes kodak, cada um devidamente acondicionado em sua respectiva embalagem cilíndrica de plástico preto e tampa cinza (aliás, muito útil para guardar moedas e pequenos apetrechos de diversa função).

 

O caso é que não me veio a menor pista sobre quais fotografias poderiam estar ali armazenadas. Nem idéia. Não sei como esqueci os filmes na gaveta. Não sei por que. E muito menos sei desde quando estão ali. A curiosidade bateu mais instantânea que nescau. Enquanto não revelava os filmes fiquei tentando lembrar. Aniversário das crianças? Passeio na praia? Baile infantil no clube da cidade? Nem chance.

 

Hoje peguei os dois filmes de 12 poses e um de 24 na lojinha do Largo da Carioca. Não abri de cara. Subi com os envelopes na mão e um sorrisinho maneiro no rosto. Fui para uma sala reservada do escritório e fechei a porta. Não por nada, apenas para curtir sozinho o momento de arqueologia pessoal.

 

Estavam lá, entre outras, as crianças, ainda mais crianças, na apresentação anual da aula de capoeira. Também os dois tomando banho de mangueira no quintal da casa que já não é a mesma. Havia ainda fotos da Lu no trabalho. E mais crianças (sempre), desta vez no colégio e com amigos. Ah, também ocorreram cenas de um natal em família que pode ter sido qualquer um nos últimos 10 anos ou mais.

 

Nada demais. Demais mesmo foi a espera para ver revelado o que havia nas caixinhas. Sabe aquela velha expressão: “passou um filme pela minha cabeça”? Pois é, passou.

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