Estrelamoto

que que ouve?

3 03UTC Março 03UTC 2009 · Deixe um comentário

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Essa está no ponto do expresso que faz a ligação da estação do metrô de botafogo à Urca. Não tem assinatura. Boa sacada.

Aproveitando a deixa vamos a uma pequena, diminuta, nanica lista do que tem passado pelos ouvidos deste blog.

- Tango Crash (cuja música La Yumba, trilha sonora do video O Besouro e o Tango, um clássico instantâneo, mereceu elogio em comentário do músico e amigo Carlinhos Rabha).

- Jards Macalé. O disco é Real Grandeza, só com músicas dele com o Waly Salomão. Cheio de participações legais. Destaque pra Olho de Lince.

- Adriana Calcanhoto. Maré.

- The Chemical Brothers. Exit Planet Dust. É o primeiro disco da dupla. Tinha comprado há tempos, mas só agora estou ouvindo. Música eletrônica pode mesmo ser boa.

- Fernanda Takai. Onde Brilhem os Olhos Seus. Com Açúcar e Com Afeto ficou uma beleza.

- Hail to the Thief. Afinal, não podemos esquecer que tem show dia 20!

Como se vê, não há uma só novidade na lista. Tudo coisa velha. É como diria meu tio João: “E quem disse que é bom só porque é novo?”

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+ Durex

1 01UTC Março 01UTC 2009 · 1 Comentário

O blog recebeu comentário do artista Mauro Espíndola, da Durex Arte Contemporânea. O texto traz informações importantes. Reproduzo:

“Querido visitante, grande prazer em te receber no Durex. Seja sempre bem-vindo à casa. Algumas ligeiras colocações: a identificação visual da galeria está bem na entrada acima da porta verde; a galeria está aberta de segunda à sexta entre 12 e 17h, e a gata se chama Tarsila. Mais informações no tel 2508-6098, com Marcos Dana. Abraços.

Realmente não vi a identificação visual da galeria, embora estivesse a procurar por ela. De qualquer forma é possível colocar isso na conta da minha distração. O horário de funcionamento e o telefone são bastante úteis, mas o melhor mesmo foi saber que a gata é Tarsila.

Recomendei visita à exposição em cartaz na Durex, mas eu mesmo ainda estou devendo a visita. Vou tentar arrumar um tempo, entre 12h e 17h, para dar um pulinho lá. Depois conto aqui.

  

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o besouro e o tango

26 26UTC Fevereiro 26UTC 2009 · 2 Comentários

Aí está!

Mais uma produção daboavista filmes. Quem frequenta este blog (alguém? alguém?) deve se lembrar do filmete do louva-deus com música do Modeselektor. Hoje o que temos aqui é mais um bichinho em apuros, desta vez um robusto besouro . O filme é despretensioso, pretende apenas mostrar como deus é injusto com as criaturas que ele mesmo desenhou. Enquanto o besouro, a quem o onipresente deu asas, tem uma baita dificuldade para se virar sem ajuda, crianças e aviões voam por aí sem a menor cerimônia. Já pensou nisso? Então pense. Pensou? Então, por favor, veja o vídeo e não leve nada aqui a sério.

Bom, pode levar a sério a música. Trata-se de La Yumba com Tango Crash, quarteto argentino radicado na Europa. A propósito, eles fazem show no Bourbon Street, em São Paulo, dia 9 de março. Não consta que venham ao Rio.

As imagens, a edição e o resto foram feitos pelo titular deste espaço mesmo, dono e artista contratado da etérea, bissexta e errática produtora daboavista filmes. O besouro estava de barriga pra cima num dos degraus da escadaria que dá acesso à igreja de São Sebastião, na simpática cidade de Varre-Sai. As crianças no balanço e o preto-velho que passa pelo quadro (repara só a entidade) estavam numa praça de Macuco. E o avião foi pego em flagrante processo de aterrissagem desde uma janela solitária na Urca. Informamos que a Gol não deu uma única passagem, nem uma mísera barrinha de cereal, para a realização deste filme. Alô Nenê, ainda tá em tempo!

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motores

25 25UTC Fevereiro 25UTC 2009 · Deixe um comentário

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Ainda preciso aprender a usar melhor os recursos do wordpress. Falta um pouco de inteligência e sobra muita preguiça. Essa equação costuma ser fatal. Para um blog ordinário e para vida em geral.  Sei usar apenas aqueles recursos cujo esforço máximo exigido para desfrutá-lo é saber ler. Motores de busca é um deles. Termos de motor de busca, para ser exato. Essa ferramentazinha mostra que palavras seus visitantes digitaram em sites de busca para chegar até  o seu estimado blog.

É divertido saber, por exemplo, que em algum lugar alguém abriu o Google e digitou “nomes de eguas de heróis” assim mesmo, sem acento na égua,  e que isso o levou a clicar nesse estrelamoto. Ou que uma pessoa interessada em “como pintar quadros que chamam atençao” nos visitou recentemente. 

Quase sempre é fácil entender a relação que há entre o motor de busca exibido e um texto do blog. Quase. Ontem alguém digitou em algum lugar do planeta “bobao”, sim, sem acento. E deu com os costados adivinhem onde? Sim, aqui mesmo. Não consegui lembrar de cara onde havia escrito algo que tivesse” bobao”. O jeito é refazer o caminho. Abri o Google, e tasquei lá a palavrinha. Nada. No Yahoo. Nada de novo. No Cuil, nada mais uma vez.

Já me sentindo um verdadeiro bobão, fui ao blog tentar achar a palavra. A necessidade é o que faz o sapo pular, já dizia o Camilo, motorista e filósofo do jornal O DIA. Pra decifrar o mistério acabei tendo que adicionar mais um widget à página. Para pesquisa. Digitei primeiro bobão, com acento, claro. E mais uma vez nada apareceu. Digitei então sem acento e… o mistério estava desfeito. No dia 17 de dezembro publiquei  aqui um desenho que fiz com caneta numa capa de um caderninho. Para mim o desenho parecia ser um bobo da côrte já bêbado, com copo na mão e tudo. Na hora de salvar o jpg batizei a foto de bobao1.  

De volta ao Google digitei “bobao” novamente, desta vez na busca de imagens. Na segunda página apareceu meu desenho. Lição do dia: os nomes das fotos também entram como motor de busca. Hummm…. Não sei porque, mas acho que não há novidade alguma nisso.

Quanta bobagem!

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a goiaba imperfeita

24 24UTC Fevereiro 24UTC 2009 · Deixe um comentário

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Eu costumava ter em casa três pés de goiaba. Um, o vento levou. E isso não é figura cinematográfica em semana de Oscar. Levou mesmo. Ventou forte e pum! lá se foi a goiabeira para o chão tirando apenas lasquinha de uma telha azarada. O outro foi vitimado pelo progresso. Em seu lugar, hoje, habita uma coluna de concreto que sustenta a caixa d’água que garante o abastecimento da casa. O banho das crianças, vocês sabem…  Restou uma solitária goiabeira.

Não sei se foi a solidão que fez isso com ela, mas a verdade é que a tal pariu como nunca este ano. Na verdade ainda está a parir. Quando achávamos que havia esgotado o repertório de goiabinhas eis que ontem meu sogro — zeloso pela geléia que minha sogra aprendeu a fazer e que, devo dizer, é uma delícia — recolheu dois sacos, desses de supermercado, cheios. Vem mais geléia por aí.

O que chama a atenção de cara é a imperfeição das goiabinhas. E as chamo assim, goiabinhas, porque são pequenas mesmo. E ficam menores e mais imperfeitas à medida que as comparamos com suas primas distantes que encontramos nas prateleiras dos supermercados. Aquelas safadas se entopem de anabolizantes, não é possível. A diferença é gritante. As goiabas do meu quintal, e de todos os outros quintais por aí, parecem mais pequenos meteoros de forma irregular e com algumas crateras aqui e ali. São vermelhas e saborosas como se vê na foto. Aliás, a única justificativa deste texto é mesmo publicar essa foto feita numa dessas manhãs de sol. É que gostei delas. Da foto e da goiaba em si.

Poderia ainda aproveitar e começar a tagarelar ecologicamente sobre o fato de a goiabeira dar tantos frutos agora, pleno fevereiro, quando o normal seria, como nos anos anteriores, em dezembro, janeiro no máximo. Mudanças no clima? Alteração na rotação do planeta? Efeito nefasto do aquecimento local?

No fundo creio que é só solidão mesmo. Uma tentativa de pôr no mundo mais sementinhas pra ver se uma delas cresce por perto. Sabe como é, pra fazer companhia na velhice.

 

obs: mesmo sem anabolizantes e com algumas cracas por fora ainda não registramos a ocorrência de bichos, nem inteiros nem pela metade, nas goiabas deste quintal.

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Viola Davis

21 21UTC Fevereiro 21UTC 2009 · Deixe um comentário

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E quando menos se esperava, eis que chega a cerimônia do Oscar. Prato cheio para quem não gosta de carnaval. Abre parênteses: E por falar nisso, é altamente recomendável a leitura da crônica de Artur Dapieve, nO Globo de ontem. Era aquilo ali que eu queria dizer sobre o assunto carnaval. Mas, antes que a gente perca o enredo deste texto, voltemos: fecha parênteses.

Só estou plenamente autorizado por mim mesmo a falar sobre a categoria atriz coadjuvante, cujas indicadas as vi todas em ação. E vou te contar meu chapa, essa moça Viola Davis… caramba! A participação dela é meteórica (10 minutos? Talvez mais, talvez menos), mas concentra tanta, tanta emoção; tanta força. Minha nossa, que bela atriz. O texto e a situação em que surge o texto ajudam muito, é verdade. E a câmera também. Ponto para John Patrick Shanley. Naquele pedaço do filme Meryl Streep vira coadjuvante facinho. Já li por aí que as apostas estão entre Viola e Penélope Cruz. Não dá pra falar em injustiça caso a espanhola ganhe. Não dá mesmo. Mas que eu vou torcer por Mrs. Miller, ah isso eu vou. Sem dúvida.  (informamos que o departamento para devolução de trocadilhos de gosto duvidoso, ai!, funciona de segunda a sábado das 8h às 10h, neste blog)

No mais, vou engrossar o coro pró Mickey Rourke (que belo filme esse O Lutador!) e ver o resto como se assistisse à missa.

 

 


Nota de rodapé: hoje não é um bom dia pra falar de futebol.

   

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as últimas palavras

20 20UTC Fevereiro 20UTC 2009 · Deixe um comentário

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Acho que eu já comentei aqui a satisfação que sinto em ver a sincera devoção de Octávio pelos livros. Coisa de pai. O fato é que agora, às vésperas de completar 15 anos, o garoto engrenou legal no que se chama ‘hábito da leitura’. Se antes só se empolgava com biografias, notadamente de músicos brasileiros, agora descobriu a ficção. De dezembro pra cá já foram pra lista Quincas Borba, O Guarani, Dona Flor e Seus Dois Maridos, A Morte e a Morte de Quincas Berro D’água, Gente e Bichos e agora Olhai os Lírios do Campo. Nada como ter as tardes livres e a mente aberta. Ele passa horas no quarto, na sala, na copa, como se jogasse videogame, como se estivesse na frente de um monitor de computador. Levanta apenas para perguntar o significado de uma ou outra palavra. Quando sei tento explicar, e ele normalmente diz “Ah, faz sentido…” Quando não sei digo: “Ah, não vou falar não, você está com preguiça de consultar o dicionário.” De tempos em tempos ele senta ao lado da gente e começa a contar parte história. A mim cabe ouvir, perguntar, colocar lenha e abanar.

Pois foi o Octávio que surgiu com a história das últimas palavras. Disse que na biografia do Milton, a autora Maria Dolores conta que ele e Fernando Brant procuravam, na estante, inspiração para batizar uma música que haviam acabado de compor quando depararam com a última palavra de Grande Sertão: Veredas. Era ‘travessia’. O resto da história todo mundo sabe cantar junto.

E aí? E aí que eu, que já tinha o hábito de ler revista e jornal de trás pra frente, de ler os últimos parágrafos de livros antes de iniciar leitura e de começar a bula pelo verso, passei a colecionar últimas palavras de livros.

E sabe o que eu descobri com isso? Nada. Só um novo e pequeno prazer. A curiosidade sem sentido de pegar um livro na prateleira, em casa, na livraria, no sebo ou no vendedor de rua, e ir direto à última palavra.

Abaixo a lista das últimas palavras dos livros citados neste texto:

Quincas Borba: Homens

O Guarani: Horizonte

Dona Flor e Seus Dois Maridos: Cidade

A Morte e a Morte de Quincas Berro D’água: Oração

Gente e Bichos: Outro

Olhai os Lírios do Campo: Sol

Travessia – A vida de Milton Nascimento: Futuro

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os 3 filmes

11 11UTC Fevereiro 11UTC 2009 · Deixe um comentário

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Tem coisa que a gente esquece rápido. Ainda lembro da manhã quando ouvi a palavra internet pela primeira vez. Foi pronunciada e levemente dissecada por Cristina de Luca, à época no Globo, convidada pela professora, que eu não lembro mais quem, para falar sobre a novidade aos alunos do terceiro período de comunicação social da Faculdade da Cidade. Estávamos no segundo semestre de 1993. Hoje (oh deus do lugar-comum seja piedoso, paciente e correto) esquecemos como era o mundo sem a internet, sem os celulares e sem a água de coco em embalagem tetrapark.

 

A câmera digital entra fácil nesse pacote. E olha que eu só comprei a minha primeira maquininha, a querida Nikon Coolpix 5200, em julho de 2005. Quer dizer, ontem. Bastou para esquecer o que era fotografar com filmes.

 

Eis que chafurdando uma gaveta nem tão velha, nem tão abandonada assim, deparei com três filmes kodak, cada um devidamente acondicionado em sua respectiva embalagem cilíndrica de plástico preto e tampa cinza (aliás, muito útil para guardar moedas e pequenos apetrechos de diversa função).

 

O caso é que não me veio a menor pista sobre quais fotografias poderiam estar ali armazenadas. Nem idéia. Não sei como esqueci os filmes na gaveta. Não sei por que. E muito menos sei desde quando estão ali. A curiosidade bateu mais instantânea que nescau. Enquanto não revelava os filmes fiquei tentando lembrar. Aniversário das crianças? Passeio na praia? Baile infantil no clube da cidade? Nem chance.

 

Hoje peguei os dois filmes de 12 poses e um de 24 na lojinha do Largo da Carioca. Não abri de cara. Subi com os envelopes na mão e um sorrisinho maneiro no rosto. Fui para uma sala reservada do escritório e fechei a porta. Não por nada, apenas para curtir sozinho o momento de arqueologia pessoal.

 

Estavam lá, entre outras, as crianças, ainda mais crianças, na apresentação anual da aula de capoeira. Também os dois tomando banho de mangueira no quintal da casa que já não é a mesma. Havia ainda fotos da Lu no trabalho. E mais crianças (sempre), desta vez no colégio e com amigos. Ah, também ocorreram cenas de um natal em família que pode ter sido qualquer um nos últimos 10 anos ou mais.

 

Nada demais. Demais mesmo foi a espera para ver revelado o que havia nas caixinhas. Sabe aquela velha expressão: “passou um filme pela minha cabeça”? Pois é, passou.

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Durex Arte Contemporânea

6 06UTC Fevereiro 06UTC 2009 · 1 Comentário

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Sem título IV, suíte Mirror Method
Desenho – nankim e folha de ouro s/ papel
38 x 38 cm – 2008 –
Mauro Espíndola

 

Há tempos que queria escrever sobre Durex.

 

A chegada do convite na caixa postal foi a senha. E vamos logo ao serviço: de nove de fevereiro a vinte e um de março, exposição The Portrait Show,  com obras de Adriana Tabalipa, Adriano Melhen, Adriano Motta, André Alvim, Anna Bella Geiger, Cal Thompson, Clarisse Tarran, Eduardo Berliner, Mauro Espíndola, Michel Groisman & Sung Pyo Hong, Nadam Guerra, Osgêmeos e Pedro P Domingues. Local: Durex Arte Contemporânea.

 

A Durex fica escondida na Praça Tiradentes, mais especificamente na sobreloja do número 85. O site www.durexart.com, embora pareça carecer de atualização, informa que a galeria é “conduzida por cinco artistas e um artdealer”, que deve ser o nome da hora para “aquele-que-sabe-como-fazer-dinheiro-ou-pelo-menos-deveria”.

 

Soube da Durex pelo Cajê e aproveitei um pedaço de tarde quente em meados de outubro (ou setembro ou agosto) passado para dar um pulinho lá. Disse que a galeria fica escondida na Praça Tiradentes. Pode ser que isso seja exagero, mas a verdade é que tive um pouco de dificuldade para encontar o lugar. Primeiro porque a numeração das redondezas é algo entre o caótico e o inexistente. Mas quem nasceu no Brasil e vive no Rio acaba se acostumando com o caos e a inexistência. Depois porque, uma vez identificado o sobrado 85, a impressão que se tem é que nada há ali. Nenhum movimento no térreo, nenhuma janela aberta em cima. Na parede externa, nada. Nem mesmo uma placa ou pedaço de papel fixado com fita adesiva transparente informando que ali funciona uma galeria de arte. Conheço gente que voltaria da porta na mesma hora. Como já estava ali, me aproximei e apertei o botão do único sinal de vida que havia em derredor: um interfone. Demorou pouco e alguém disse olá. Perguntei se ali funcionava a Durex. A voz disse que sim. Perguntei qual o horário de visitas e a resposta foi: pode ser agora. E foi.

 

A voz que me atendeu era de Mauro Espíndola, um dos artistas que, juntamente com o artdealer, conduz a Durex. Subi a escada até a sobreloja. Espíndola me deu as boas vindas e acendeu as luzes que iluminam as duas salas de exposição. Durante um tempo percorri os quadros expostos ( na época, uma exposição de Adriano Melhem). Tive tranquilidade (ai que vontade de usar o trema!) para ver tudo. Espíndola me deixou sozinho e à vontade, como deve ser. No fim, puxei conversa. Falei e ouvi sobre a exposição. Ao ver meu interesse o artista abriu as portas para o misto de ateliê e depósito coletivo. São duas salas, uma menor abarrotada de obras e apetrechos e outra maior igualmente atulhada. Tremendo bonus track. Lá ele me mostrou telas suas, inclusive algumas da série que ilustra este texto e sobre as quais há mais informação em http://www.mauroespindola.com.br/

 

No fim da segunda sala encontramos uma mulher de longos cabelos grisalhos com um gato no colo e um computador à frente dos óculos. Cumprimentei, mas não perguntei o nome dela. Suponho que seja uma das cinco artistas etc… Também não quis parecer chato, embora quisesse ver mais coisas. Me despedi logo, deixando abraço e e-mail para receber aviso sobre as novidades. 

 

Durex.

 

Vale a visita.

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e pasta um, pasta dois, pasta três…

30 30UTC Janeiro 30UTC 2009 · Deixe um comentário

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e eu também;

poesia da boa:

VAGA

A NUVEM

EM VÊ

DE ÁGUA

DESABA

NO ALFAÇAL

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só falta ele

21 21UTC Janeiro 21UTC 2009 · Deixe um comentário

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Não falta mais ninguém.

 

Pra acabar o século 20.

Qual vai ser a última foto do Fidel? Neguinho agora torce, fácil, o nariz à mera menção do nome dele. Não dou dois anos e três meses pra, depois da morte, virar onda. Vai ter até desfile na SPFW *hauahauhauah* 

Eu só li um livro de e sobre. Escrito por frei Betto. Aliás, um livro que eu comprei e não paguei e que tenho até hoje (devo à Bia).

Fidel e a religião. (frase na página 27: “ninguém sabe o computador que o homem tem na cabeça”). – boa -

O primeiro personagem do século 21 é ninguém.

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clássico

16 16UTC Janeiro 16UTC 2009 · 1 Comentário

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sem pão e sem trabalho

14 14UTC Janeiro 14UTC 2009 · Deixe um comentário

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Sin Pan y Sin Trabajo (1894)

Ernesto de la Cárcova

Óleo sobre tela (125.5 x 216 cm)

Esse aí é demais. Não conhecia. Também tá no MNBA de BuA.

Vale por um filme inteiro.

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bardot de saura

13 13UTC Janeiro 13UTC 2009 · Deixe um comentário

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Esse é o Retrato Imaginário de Brigitte Bardot (210X195cm), óleo sobre tela de 1962 do espanhol Antonio Saura. O quadro foi um dos que mais me chamou a atenção no ótimo Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires. Só visitei o MNBA portenho aos 48 do segundo tempo, no último dia de viagem. Tinha visitado antes o Malba e achei que bastava. Estava errado. O Malba é bem legal, ver o Abaporu foi algo realmente emocionante (como já me havia adiantado o Cajê), mas perder o MNBA portenho seria imperdoável.

 

A comparação com o nosso MNBA é inevitável. Tudo bem, o nosso prédio é mais bonito. Mas por dentro… O museu argentino é bem melhor organizado. Há uma coerência muito clara na disposição das obras da mostra permanente, o que facilita muito a visita. E o acervo é precioso. Tem até um Klee! Nosso museu da Rio Branco também possui obras importantes, mas há um indisfarçável aspecto de abandono que não se vê no co-irmão bonaerense. Portanto, não se deixe enganar pelo prédio aparentemente pequeno e sem muito charme. Em Buenos Aires, não deixe de visitar o MNBA e reserve, pelo menos, umas duas boas horas pra isso. O primeiro pavimento, com arte argentina e latino-americana é imperdível.

 

Notas finais de viagem:

 

1 – Fomos ver a exposição de Marcel Duchamp na belíssima Fundação Proa, em La Boca. Até dá para entender que suas obras tenham tido impacto conceitual à época, etc etc etc… mas não houve nada que me emocionasse. Preferi a arvore de natal da Bombonera.

 

2 – Não gosto mais (já gostei) de atirar pedras a esmo. Mas a verdade é que Duchamp me pareceu mesmo um ótimo enganador. Pelo menos foi bom nisso.

 

3 – Fomos também assistir ao musical EVA, com Nacha Guevara. Muito bem feito. O teatro, com nome e sobrenome, Lola Membrives, é meio velhinho, mas extremamente bonito e funcional. Havia orquestra tocando ao vivo o que dá uma força legal para o espetáculo.

 

 4 – As impressões sobre a peça foram tão boas que, no dia seguinte, fomos visitar o museu dedicado à história da polêmica Eva Duarte Perón. Polêmica mesmo. Quando adoeceu, aos 33 anos, houve quem a tratasse como santa e quem pichasse nos muros ‘Viva o Câncer’.  Lembro de ter visto, criança, com meus pais, a versão brasileira, em Volta Redonda! Havia Cláudia Telles, Mauro Mendonça e Carlos Augusto Strazzer. Lembro de apenas uma cena com clareza.  Esse musical que vimos agora no Lola Membrives não é o famosão de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber, que serviu de base pro filme de Alan Parker, que não vi. É uma peça argentina, com música argentina, que um peronista de carteirinha que sentou ao meu lado disse ser mais fiel à curta vida do seu mito.

 

5 – Na volta, dá pena ver o Rio tão mal cuidado. Dá pena ver nossos monumentos negligenciados. E dá raiva perceber que falta de educação não tem nada a ver com pobreza.

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a grama do vizinho

8 08UTC Janeiro 08UTC 2009 · 1 Comentário

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Conversei com muita gente aqui. Taxista, balconista, jornaleiro e jornalista, caixa de supermercado, senhorinha educada, baterista cabeludo, torcedores do Estudiantes, do Vélez, do Racing e, claro, do Boca. Todos sempre simpáticos, interessados em falar e em ouvir. Têm uma dignidade aparente, que alguns podem interpretar como orgulho. É sim. E é um bom orgulho.

São muito críticos e, quase sempre, bem informados. Não estão satisfeitos com os rumos do país. Acreditam, sim, que o Brasil está num caminho melhor. Sabem que tanto lá (no Brasil) como aqui há muita pobreza, mas reina a noção que o Brasil fez mais coisas certas no último par de décadas. Um senhor que encontrei em El Ateneo me disse algo interessante:

“Se nós estivéssemos melhor haveria um Archi (Argentina, Rússia, China e Índia) e não um Bric (Brasil, Rússica, Índia e China) “

O fato é que ambos (Brasil e Argentina) têm problemas enormes (e proporcionais). No nosso continente brasileiro há áfricas inaceitáveis e adoráveis recantos onde o chope é gelado, a mesa farta e o bico fino (note que não estou falando de nenhum paraíso de lanchas absurdas, coberturas faraônicas e babaquice brega-daslu, esse terreno pantanoso onde milhão de dólares é troco pro picolé).

Minha impressão é que nossas gramas têm, no final das contas, a mesmíssima verdessência. Mas, vamos lá, a elite argentina parece mesmo melhor, menos deslumbrada-cínica-arrogante-e-burra, que a nossa.

Sobre a foto: é o helicóptero de Cristina Kirchner ( que o site oficial do governo chama, inutilmente, de “presidenta Cristina Fernandez”) chegando à Casa Rosada (que os argentinos da rua preferem chamar de Casa de Gobierno) na tarde/noite de quarta-feira. O aparelho pousa no terreno ao lado de um estacionamento e a governanta (não resisti) segue de carro, menos de 150 mentros, para o trabalho.

obs 1 – O pedaço de concreto com cabos de aço que se vê é parte da Ponte da Mulher, marco do novo Puerto Madero, bairro sobre o qual ouvi maravilhas, mas que a mim me pareceu assim como a Barra da Tijuca.

Obs 2 – Eles detestam a Cristina e dizem admirar muito o Lula.

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